Ofertas de Jejum: Uma Manifestação de Compaixão

    Ofertas de Jejum: Uma Manifestação de Compaixão

    Mensagem da Liderança da Área


    Por Elder Adonay S. Obando, Espanha
    Setenta de Área
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    O Apóstolo Paulo ensinou que toda a lei se cumpre numa só palavra: Amarás [sic].[i] O verdadeiro amor, continua Paulo a ensinar, vem de um coração puro e de uma fé não fingida.[ii]  Uma parte essencial da nossa fé é atingir a autossuficiência, tanto espiritual quanto temporal. A autossuficiência tem sido e é uma das prioridades ensinadas aos Santos nesta dispensação. No entanto, o caminho para a autossuficiência pode ser longo e por vezes acompanhado por doenças, interrupções, crises financeiras e outras decisões pessoais que podem deter-nos neste percurso rumo à autossuficiência temporal – um aspeto relevante da autossuficiência. O outro aspeto é a autossuficiência espiritual. Ambos são inseparáveis como os dois lados de uma moeda e juntos levam à autossuficiência plena.[iii] 

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    Se não pararmos para julgar as razões por detrás da desventura dos nossos irmãos e irmãs nos seus momentos de necessidade, o amor verdadeiro conduzir-nos-á à compaixão, que, em termos escriturísticos, tem um significado literal: “sofrer com os outros”.[iv]  O Salvador, “tendo as entranhas cheias de misericórdia; estando cheio de compaixão pelos filhos dos homens,”[v] é, para nós, o exemplo perfeito de compaixão e caridade. Sempre que o Senhor se aproximava de alguém em dificuldades ou tribulações, Ele não perdia tempo a procurar os motivos ou a condenar as más decisões por detrás de tal situação. Em perfeito amor, Ele tinha compaixão por cada um deles e de imediato agia, abençoando-os de acordo com as suas necessidades e enfermidades. 

    Assim como a viúva,[vi] que não tendo o que dar e fez uma oferta, todos os membros da Igreja têm o privilégio maravilhoso de partilhar a dádiva divina da compaixão por meio das ofertas de jejum. A despeito da posição social[vii] ou dos meios disponíveis, os Santos dos Últimos Dias jejuam uma vez por mês, tanto para se fortalecerem ao nível da autossuficiência espiritual como para ajudar os necessitados a alcançar a sua, por meio do pagamento de ofertas de jejum.

    O Senhor chamou ao Seu povo Sião,[viii] tendo em consideração que ele cumpria todos os requisitos da virtude: Todos eram unos de coração, viviam em retidão e não havia pobres entre eles. Não é por acaso que Sião significa “puro de coração”.[ix]  Mais uma vez, as escrituras revelam-nos que a pureza de coração traz à tona a compaixão e a misericórdia, promovendo a caridade. A compreensão do que significava o mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo,”[x] pelo povo de Enoque, levou-o a ter compaixão e a sofrer pelos seus irmãos e irmãs menos afortunados e a trabalhar em conjunto pelo benefício dos pobres e necessitados, até não haver mais pobres entre eles.   

    Num mundo que, cada vez mais, se afasta dos ensinamentos do Salvador, muitos dos nossos irmãos e irmãs esforçam-se por crescer em condições e ambientes adversos ou com poucas possibilidades. Podemos renovar a nossa fé por meio da compaixão. A nossa crença em Jesus Cristo e no Seu evangelho é [sic] o bastante para que desenvolvamos compaixão e amor pelos necessitados. Com convicção na esperança de um mundo melhor, podemos contribuir com generosas ofertas de jejum, com um coração repleto de amor e compaixão pelos nossos [sic] irmãos e irmãs.

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    À medida que percorrermos a jornada da vida com uma atitude de gratidão, seremos mais sensíveis ao facto de que há sempre pessoas com necessidades maiores do que as nossas. Seremos como a viúva que, mesmo nas circunstâncias mais terríveis, considerou um privilégio sagrado contribuir para os pobres e necessitados.

    Podemos fazer do jejum e do pagamento das ofertas de jejum uma parte da nossa vida, ensinando e incutindo este princípio nas nossas famílias e congregações. A nossa observância fiel trará luz aos Seus discípulos, o Salvador será o nosso guia, e o Seu povo será como um manancial, cujas águas nunca faltam.[xi]  Acima de tudo, cuidaremos dos pobres e dos necessitados, como filhos do mesmo Pai, sentindo o Seu amor e conservando a remissão dos nossos pecados, a fim de que andemos sem culpa diante de Deus.[xii]

     


    [i] Gálatas 5:14

    [ii] 1 Timóteo 1:5

    [iii] Dieter F. Uchtdorf, “Prover à Maneira do Senhor,” Outubro de 2011

    [iv] Guia das Escrituras: Compaixão

    [v] Mosias 15:9

    [vi] Marcos 12:41-44

    [vii] Deuteronómio 16:17

    [viii] Moisés 7:18

    [ix] Doutrina e Convénios 97:21

    [x] Mateus 22:39

    [xi] Isaías 58:11

    [xii] Mosias 4:26